O Judiciário até a Próxima Copa

Como estará a Justiça quando a bola rolar novamente?

Foto de Bono Maia

Bono Maia

Assessor

A próxima Copa do Mundo parece distante.

Mas pare por um instante e faça um exercício simples: tente lembrar como era seu trabalho há quatro anos.

Em 2022, a inteligência artificial generativa ainda era desconhecida para a maioria das pessoas. Reuniões virtuais eram novidade em muitos ambientes. Ferramentas que hoje utilizamos diariamente sequer existiam ou estavam em estágio inicial.

Agora imagine o que pode acontecer nos próximos quatro anos.

Quando a próxima Copa do Mundo começar, em 2030, como será o Poder Judiciário?

Talvez a resposta mais interessante seja: ninguém sabe exatamente.

Mas alguns sinais já estão aparecendo.

A inteligência artificial deverá assumir cada vez mais atividades repetitivas, permitindo que magistrados e servidores dediquem mais tempo às tarefas que exigem análise, criatividade, sensibilidade e tomada de decisão.

Os sistemas tendem a se tornar mais inteligentes, capazes de localizar informações, sugerir caminhos, organizar dados e apoiar atividades administrativas e judiciais.

O cidadão, por sua vez, provavelmente desejará uma Justiça cada vez mais simples, acessível e compreensível. Não basta que a decisão seja correta. Ela também precisa ser entendida.

Ao mesmo tempo, temas como proteção de dados, segurança da informação, transparência e uso responsável da tecnologia ganharão ainda mais relevância.

Mas talvez a maior transformação não esteja nos sistemas.

Ela estará nas pessoas.

A história mostra que as organizações mais inovadoras não são necessariamente aquelas que possuem a tecnologia mais avançada. São aquelas que conseguem criar ambientes onde as pessoas se sentem seguras para propor melhorias, testar soluções e aprender com os resultados.

A inovação raramente começa com uma grande invenção.

Muitas vezes ela nasce de uma pergunta simples:

“Por que fazemos isso dessa forma?”

Ou de outra ainda mais poderosa:

“Existe um jeito melhor?”

É justamente desse espírito que surgem as mudanças que transformam instituições.

O futuro da Justiça não será construído apenas por programadores, especialistas em tecnologia ou laboratórios de inovação.

Ele será construído por magistrados, servidores, colaboradores e equipes que identificam problemas reais e se dispõem a buscar soluções.

Daqui a quatro anos, muitas das ferramentas que utilizaremos ainda nem existem.

Mas as decisões que tomarmos hoje ajudarão a definir como será esse futuro.

A próxima Copa vai chegar.

A pergunta é: quando ela começar, que Judiciário gostaríamos de entregar à sociedade?

Talvez a inovação comece exatamente pela sua resposta.

Compartilhe em suas redes

Acessar o conteúdo